A trajetória de Andressa Mello, ex-aluna do Colégio dos Jesuítas, em Juiz de Fora (MG), ganhou reconhecimento internacional com a conquista do Society of Voice Arts and Sciences (SOVAS) Awards 2025, premiação considerada o “Oscar da Voz”. Após três anos consecutivos sendo indicada, ela recebeu a estatueta na categoria de melhor locução para e-learning, pelo vídeo Tudo o que você precisa saber para ler Frankenstein, da série TED-Ed.
A 12ª edição da cerimônia aconteceu no dia 18 de março e reuniu profissionais da voz de diversas partes do mundo, consolidando o prêmio como uma das principais referências da área. Para Andressa, a conquista simboliza não apenas um reconhecimento profissional, mas também a validação de uma escolha de vida. “Representa que escolhi o caminho certo pra mim e que a profissão de artista é tão respeitável e importante na sociedade quanto qualquer outra. Foi uma grande honra e uma grande alegria ganhar uma premiação tão importante, pois ela acaba validando frente à sociedade uma caminhada de mais de 20 anos de estudo e dedicação”, afirma.
Formada em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo (USP) e com quase uma década de atuação em locução e dublagem, Andressa construiu sua carreira a partir de uma base artística que começou ainda na escola, e que foi incentivada ao longo de sua formação no Colégio dos Jesuítas, onde estudou entre 2006 e 2012. “Eu me lembro muito dos meus amigos, a maioria deles segue comigo até hoje. Eu adorava as atividades de formação, as atividades de voluntariado com o Jerry… A oitavada! Que experiência marcante! Tia Grace, Soninha… e tantos professores queridos!”, recorda.
Entre as experiências que marcaram sua trajetória, Andressa destaca o papel das atividades artísticas no colégio como decisivas para sua escolha profissional. “O Show de Talentos e o coral, sem dúvidas. Eu já fazia teatro quando entrei no Jesuítas, e ter um espaço de aprendizado e desenvolvimento artístico dentro da escola definitivamente foi essencial pra eu ir descobrindo o meu caminho profissional. Aproveito para deixar aqui meu carinho e admiração ao mestre Guilherme Oliveira por toda dedicação e paixão, fazendo com que tantos alunos cantem e encantem ao mesmo tempo em que se divertem e descansam da rotina pesada que é ser estudante”, reconhece. Outro momento significativo foi a Bienal do colégio, quando foi convidada a integrar a comissão de Juiz de Fora em São Paulo (SP). “As professoras de artes Nancy e Leninha valorizaram a artista que existia em mim antes de eu mesma ser capaz de vê-la”, completa.
A formação recebida no Colégio dos Jesuítas também deixou marcas profundas em sua maneira de pensar e se posicionar no mundo. “Acredito que meus professores sempre me desafiaram a pensar sozinha. E isso sempre me pareceu muito bonito. O conteúdo é uma coisa, o raciocínio é outra. E o entendimento, na minha opinião, é uma comunhão dessas duas grandezas. Sou muito grata aos professores maravilhosos que tive no colégio”, avalia.
O caminho até a locução e a dublagem foi uma construção gradual, conectada às experiências artísticas acumuladas desde a infância. “Eu entendi que queria seguir o caminho artístico na época do vestibular, quando decidi prestar a Fuvest para Artes Cênicas. Na época, já tinha 10 anos de teatro na bagagem. Depois, meu trabalho vocal como cantora foi se expandindo para a dublagem e, mais recentemente, para a locução. Acredito que foi uma evolução natural, porque são profissões que unem habilidades que eu venho desenvolvendo desde criança”, conta.
Hoje, seu trabalho tem impacto direto na vida de quem a escuta, seja nos palcos, nas telas ou nos conteúdos educativos. “Eu percebo esse impacto nas gargalhadas ou nas palmas durante um espetáculo teatral no qual eu atuo ou ilumino; no olhar marejado dos convidados de um casamento no qual eu canto; ou até mesmo em uma mensagem no Instagram de alguém que assistiu uma novela, filme ou série que eu dublei e que fez questão me vir me contar que foi marcado pelo meu trabalho. É muito especial quando eu consigo esse feedback de quem me ouve. Mas principalmente, eu diria que sinto esse impacto quando algum jovem artista da cidade vê em mim a certeza de que é possível viver de forma digna da profissão de artista. Isso me emociona profundamente”, celebra.
Ao olhar para sua trajetória, Andressa reconhece o papel fundamental da escola em seu desenvolvimento pessoal e profissional. “O fato de o colégio, e os profissionais que faziam parte dele na época, sempre terem enxergado e valorizado meu lado artista foi essencial pra mim. Isso foi validando e abrindo espaço para que eu pudesse florescer não da forma que era esperada de mim, mas sim respeitando meus talentos e aptidões. E, olha que bonito, tantos anos depois, o colégio abrindo esse espaço para eu compartilhar um pouco da minha trajetória com a comunidade escolar.”

