A educação jesuíta deixa marcas que ultrapassam os muros da escola, inspirando os estudantes a serem comprometidos com a realidade à sua volta. E foi isso que viveram dois ex-alunos do Colégio Loyola, de Belo Horizonte (MG), e e um do Colégio dos Jesuítas, de Juiz de Fora (MG), durante uma experiência missionária realizada entre os dias 02 e 05 de abril, na Ilha do Marajó, no Pará (PA).
Acompanhados pelo Ir. Gian Franco, SJ, auxiliar educacional do Colégio Loyola, e do Esc. Luciano Coutinho Paulino, SJ, que colabora no Centro Alternativo de Cultura (CAC) e em atividades pastorais da Capela de Lourdes, Sofia Ramos Jayme e Rafael Murta, ambos formados em 2019 pelo Loyola, e Décio Luiz Lima Meireles, formado em 2023 pelo Colégio dos Jesuítas, integraram um grupo de oito pessoas que participou das celebrações da Semana Santa em comunidades locais. A experiência foi marcada pelo encontro com as pessoas, pela escuta, pelo serviço e pela convivência com uma realidade muito diferente daquela que os jovens estão acostumados a viver em seus cotidianos.
Antes de seguirem para as comunidades da Ilha do Marajó, o grupo participou de um momento de preparação e motivação. Para Décio, esse foi um passo importante para lidar com os desafios e abrir-se ao aprendizado que viria. “Na comunidade quilombola de Gurupá, fomos extremamente bem recebidos e acolhidos. Foi muito importante ver uma comunidade unida, que luta por seus direitos e pratica a fé de forma muito especial. A visita de um padre não acontece com frequência, o que não os impede de se reunirem na igreja simples e celebrarem juntos”, relata. Viver a Semana Santa junto à comunidade ajudou a ressignificar sua relação com a fé. “Estar ali, vivendo a paixão, morte e ressurreição de Cristo, me fez perceber que Deus está muito mais presente nessas situações do que em grandes celebrações, em igrejas bonitas e estruturadas. Tivemos a oportunidade de visitar muitas casas e conhecer pessoas incríveis, com muita bagagem, tudo isso em um lugar maravilhoso, onde, para todo canto que você olha, enxerga Deus e sente muito orgulho de ser brasileiro”, complementa.
Para Sofia, a experiência revelou, na prática, o significado de serviço e de amor ao próximo. “A experiência em Marajó foi, antes de tudo, uma verdadeira prova de amor e serviço, não apenas por parte dos missionários, mas principalmente daqueles que vivem ali. Durante a missão, vivenciamos a fé de uma forma que nunca havíamos experimentado antes, com a certeza concreta de que ela, de fato, move montanhas”, afirma. Segundo a ex-aluna, a beleza do lugar impressiona, mas o que realmente transforma são os encontros. “Fomos recebidos com muito carinho na casa que nos acolheu e logo nos deparamos com um cenário paradisíaco, que por si só já encantava, mas que ganhava ainda mais sentido diante das pessoas e das histórias que encontramos”, destaca.
A experiência também deixou marcas profundas em Rafael. Para ele, o que mais tocou foi a acolhida das pessoas, as histórias compartilhadas e a simplicidade da vida cotidiana. O tempo que passamos em Marajó ficará marcado em minha memória para sempre. As pessoas que conheci lá eram muito acolhedoras e a natureza maravilhosa. As conversas que tivemos com as pessoas, suas vivências e dificuldades, suas alegrias, memórias e religiosidade fizeram com que essa experiência tivesse um significado profundo, transformando minha forma de enxergar o mundo e de valorizar as pequenas coisas da vida. Marajó não foi apenas um destino, mas um encontro com a essência humana e com a natureza em sua forma mais pura”, resume.


