Estudante do 9º ano do Colégio São Francisco Xavier (Sanfra), em São Paulo (SP), desde a Educação Infantil, Lucas Fernandes Freitas construiu, ao longo dos últimos anos, uma rotina sólida de participação em olimpíadas do conhecimento. Hoje, ele se aproxima das 70 medalhas em diferentes áreas. O primeiro contato com esse universo aconteceu durante a pandemia, quando o jovem passou a buscar competições por conta própria e decidiu participar da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA). Com interesse prévio pelo tema, estudou provas de edições anteriores e conquistou, já na estreia, uma medalha de prata.
Com o tempo, a participação deixou de ser pontual e passou a fazer parte da rotina. Atualmente, ele compete em cerca de 20 a 30 olimpíadas por ano, em áreas como matemática, física, astronomia, química, inglês e geopolítica. Para sustentar esse ritmo, dedica, em média, de quatro a cinco horas diárias ao estudo, fora do horário escolar. A principal estratégia, segundo ele, é a prática. “Fazer provas anteriores ajuda muito, porque você entende o estilo da questão e o que a prova cobra”.
Entre os resultados mais importantes, está a medalha de ouro nacional na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), conquistada após participações consecutivas desde o 6º ano. A conquista abriu as portas para o Programa de Iniciação Científica Júnior, com encontros quinzenais na Universidade de São Paulo (USP). Lucas está, este ano, em sua 3ª participação no programa, agora em nível avançado. Recentemente, também obteve o nível C1 no exame de proficiência em inglês da Universidade de Cambridge. “Fiquei muito feliz e orgulhoso em ver que meu conhecimento podia ser aplicado fora da escola. É algo que posso colocar no currículo e que pode abrir portas — na universidade ou em oportunidades de emprego.”
O gosto pelos estudos já aparecia antes das olimpíadas. “Ele sempre gostou de astronomia, assistia vídeos em inglês e, quando eu perguntava, dizia que entendia tudo”, lembra a mãe, Lauri Fernandes. Segundo ela, o envolvimento com as competições foi crescendo de forma gradual, acompanhando o próprio amadurecimento do filho. “O que mais mudou foi a autonomia. Hoje, muita coisa já faz parte dele”. O pai, Frederico Freitas, avalia que o colégio acompanhou essa evolução. “O Sanfra foi crescendo junto com ele nesse aspecto. Hoje existe mais acompanhamento, mentorias e incentivo. As olimpíadas passaram a fazer parte da cultura do colégio.”
Lauri destaca ainda como o filho passou a ocupar um papel diferente dentro da sala de aula. “Muitas vezes, os colegas procuram ele para tirar dúvidas. Ele acaba se tornando uma referência, não só em época de prova, por exemplo, mas no dia a dia.” Para a mãe, cada competição é uma semente plantada. “Sobre todas essas competições, eu sempre falo para ele: ‘Uma hora, dão retorno, e muitas portas já foram abertas’. É um orgulho imenso para a gente”, celebra.
Com interesse em cursar Engenharia, ele já sabe que o diferencial não está só no talento. “Eu estudo, me preparo, mas na hora de resolver, também preciso confiar em mim.”



