O segundo dia do 14º Fórum das Equipes Diretivas da Rede Jesuíta de Educação (RJE), realizado nesta quarta-feira, 20 de maio, foi marcado por reflexões sobre justiça socioambiental, ação social e fortalecimento da cultura do cuidado nas instituições educativas jesuítas. O coordenador do Núcleo Apostólico Belo Horizonte e Santa Luzia (MG), e diretor-presidente nacional da Fundação Fé e Alegria do Brasil, Pe. Alexandre Raimundo de Souza, SJ, foi o responsável pela oração da manhã.
.A programação contemplou a reflexão sobre a Segunda e a Quarta Preferência Apostólica, que orientam, respectivamente, o compromisso com os mais vulneráveis e o cuidado com a Casa Comum. Os debates serviram para relembrar o papel das escolas jesuítas na promoção da justiça socioambiental e na formação de sujeitos comprometidos com a transformação da realidade.
Na palestra Colaborar com o cuidado com a Casa Comum: o melhor que podemos realizar com o que somos e temos, a professora Aleluia Heringer, doutora em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), consultora, palestrante e escritora, abordou os desafios e as oportunidades para a educação católica nos próximos anos, no que tange à justiça socioambiental. Ao longo de sua exposição, a professora retomou documentos orientadores da Companhia de Jesus e refletiu sobre as Preferências Apostólicas Universais como caminhos concretos para responder aos desafios contemporâneos. Segundo ela, as quatro preferências não se organizam em hierarquia, mas dialogam entre si e ajudam a encontrar “a melhor forma de colaborar com a missão recebida”. “Acolher as preferências significa colocá-las em prática imediatamente, mudando o estilo de vida e de trabalho”, destacou.
A palestrante também trouxe reflexões inspiradas na Laudato Deum, do Papa Francisco, ressaltando a urgência da crise climática e a necessidade de uma resposta mais efetiva da sociedade. “O Papa Francisco relembra que não estamos reagindo satisfatoriamente”, afirmou, provocando os participantes a refletirem sobre o papel das escolas jesuítas diante da emergência climática.
Entre os desafios apontados, Aleluia destacou tanto a dimensão global da crise ambiental quanto a sensação de impotência individual diante do problema. Segundo ela, muitas pessoas acreditam que suas ações não fazem diferença, enquanto outras permanecem presas a estilos de vida e estruturas de consumo difíceis de transformar.
Citando uma fala do Papa Francisco, recordou: “Se medirmos a temperatura do planeta, isso nos dirá que a Terra está com febre. E ela está doente (…). Precisamos nos comprometer com a proteção da natureza, mudando nossos hábitos pessoais e comunitários”. Durante a palestra, Aleluia reforçou que a Ecologia Integral não deve ser compreendida apenas como tema ligado às ciências naturais, mas como uma responsabilidade transversal a todas as áreas do conhecimento e à própria cultura escolar.
A palestrante chamou atenção para a necessidade de coerência entre discurso e prática nas instituições educativas. Segundo ela, o compromisso ambiental se revela nas decisões cotidianas, nas relações estabelecidas dentro da escola e na forma como os valores institucionais são efetivamente vividos. Aleluia também retomou aspectos do Projeto Educativo Comum (PEC) da RJE, especialmente no que se refere ao compromisso das escolas com a sustentabilidade e a coerência institucional diante dos desafios socioambientais.
Ao encerrar sua reflexão, a professora retomou a Carta Apostólica Traçar novos mapas de esperança, do Papa Leão XIV, publicada em 2025, reforçando o compromisso da educação católica com a promoção simultânea da justiça social e ambiental. “A educação católica não pode ficar calada: deve unir justiça social e justiça ambiental, promover sobriedade e estilos de vida sustentáveis, formar consciências capazes de escolher não apenas o conveniente, mas o justo”.
A tarde foi dedicada às políticas institucionais da Província dos Jesuítas do Brasil. Tatiane Sant’Ana, coordenadora de ação social, foi a convidada para falar sobre a Política Nacional do Programa de Inclusão Educacional e Acadêmica (Piea). Durante sua apresentação, Tatiane destacou que a Política do Piea não surge de forma isolada, mas consolida e aprimora uma trajetória institucional construída ao longo de mais de uma década, articulando referências apostólicas, técnicas e legais.
O programa tem como objetivo garantir o acesso, a permanência e a conclusão acadêmica de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, assegurando não apenas benefícios complementares, mas também acompanhamento social e pedagógico capaz de sustentar a trajetória escolar com dignidade. Tatiane também ressaltou que o programa possui abrangência nacional e é marcado por uma análise técnica criteriosa, buscando garantir processos acolhedores, transparentes e comprometidos com a equidade.
Tatiane compartilhou dados sobre o impacto do programa na Rede, sua relação com a Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social (Cebas) e o marco legal, além de depoimentos de famílias, estudantes, ex-alunos e assistentes sociais que acompanham o Piea nas unidades educativas. A profissional ainda enfatizou a importância da comunicação institucional no fortalecimento do programa, ressaltando que comunicar ações de inclusão exige responsabilidade, sensibilidade e coerência com os valores da Companhia de Jesus. Ao final, sintetizou quatro compromissos concretos aos quais o Piea convoca as instituições educativas da RJE: assumir o programa como missão e não apenas obrigação; liderar com coerência a cultura do cuidado, da colaboração e da equidade; garantir condições técnicas adequadas para a atuação do Serviço Social; e utilizar dados como ferramenta para tomada de decisão, aprendizagem institucional e fortalecimento da transparência e da governança.
Na sequência, o delegado para a Proteção e o Cuidado, Pe. Élcio José de Toledo, SJ, e a ouvidora de Cuidado e Proteção, Gracieli Tavares, contribuíram com reflexões e orientações sobre o Serviço de Cuidado e Proteção da Companhia de Jesus no Brasil. As discussões ressaltaram a centralidade do cuidado, da proteção integral e da promoção de ambientes seguros, éticos e acolhedores nas obras apostólicas. Eles apresentaram o funcionamento do Serviço de Cuidado e Proteção da Companhia de Jesus no Brasil, incluindo o site institucional, o Comitê Nacional de Cuidado e Proteção — estruturado de forma permanente e operacional —, além das principais frentes de atuação do serviço e exemplos de demandas recebidas pelos canais de escuta e acolhimento.
Ao longo da partilha, foram destacados aprendizados construídos no último ano, bem como desafios permanentes relacionados à consolidação de uma cultura institucional comprometida com a prevenção, a escuta qualificada e a responsabilização. Logo após, foi lançada a Política Interna de Proteção aos Direitos da Criança e do Adolescente, documento ligado e complementar a outras diretrizes e protocolos de Cuidado e Proteção já existentes na Província dos Jesuítas do Brasil, cujo objetivo é reforçar a cultura do cuidado e da solidariedade na atuação da RJE, objetivando a erradicação de todas as formas de abuso.
O diretor administrativo do Colégio Loyola, Mauro Sabino Fortunato, compartilhou uma boa prática sobre o BI para acompanhamento do Orçamento Participativo. Em parceria com a Tecnologia da Informação (TI) da Província, o Colégio desenvolveu uma ferramenta de acompanhamento orçamentário de fácil acesso, com visão dinâmica e amigável, além de uma maior segurança cibernética. O dia encerrou com uma visita às dependências da escola e com a celebração da Eucaristia, presidida pelo diretor-geral, Pe. André Araújo, SJ.





