om a recente integração à Rede Jesuíta de Educação (RJE), a Escola João Paulo II, em Feira de Santana (BA), passa a aprofundar ainda mais sua missão de formação integral, articulando sua trajetória de mais de quatro décadas aos princípios e práticas do Projeto Educativo Comum (PEC) da Rede. Inserida no bairro Queimadinha, a escola atende aproximadamente 400 estudantes, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental – Anos Iniciais.
Presença jesuíta e missão integrada
A história da presença da Companhia de Jesus em Feira de Santana se entrelaça com a trajetória da escola e das demais frentes de atuação no território. “A nossa presença como Companhia de Jesus aqui na Cidade de Feira de Santana tem mais de 40 anos. Iniciou-se com a escola, depois a paróquia e, por fim, a Casa de Formação, que nós chamamos de noviciado. A nossa missão aqui em Feira de Santana se realiza em três polos”, explica o Pe. Jonas Elias Caprini, SJ, superior do Noviciado Nossa Senhora da Graça e mestre de noviços. Ele destaca, ainda, o valor formativo dessa integração. “A integração dessas três obras leva a um processo formativo mais integrado, mais sinodal, de pertença a várias frentes de missão. Temos uma frente educativa, a frente apostólica com o povo de Deus na paróquia e o processo formativo próprio dos jesuítas. Toda essa integralidade ajuda no processo de servimento para que o jovem possa perceber que a Companhia tem uma missão diversa em vários campos de missão”.
Educação que transforma vidas
Para quem acompanha a escola há décadas, a missão educativa sempre esteve ligada à transformação social. “De fato, para mim é uma graça de Deus, porque estou aqui desde 1991 e a gente tem uma caminhada e a pedagogia dessa escola é diferente de outras escolas. Quando eu comecei a vir trabalhar aqui, a gente começou também a fazer visita aqui nesse bairro onde a gente ia de casa em casa procurar saber por que a criança não estava vindo para a escola. E de lá para cá muitas coisas foram acontecendo, muitas coisas foram mudando. Tanto é que a família hoje tem uma proximidade maior com a escola. Há esse vínculo entre a escola e a família, a família e a escola”, afirma José Rogério da Silva Rosa.
A percepção das famílias e educadores reforça o reconhecimento da escola na cidade. “Vários pais têm o desejo de ter os seus filhos aqui na escola pela qualidade do ensino e também pelo cuidado, a questão humana também realizada aqui pela gestão e pelos professores”, destaca a professora Raiana Santos. Esse cuidado aparece também no cotidiano escolar, como observa Simone Santos. “A cada dia é um aprendizado. Eu gosto do que faço, do lugar, do ambiente e das pessoas que convivem. Aqui tem um acolhimento, um amor ao próximo, um olhar diferente para o outro”. A relação entre escola e família é um dos pilares mais destacados pela comunidade. “A Escola João Paulo é maravilhosa, é o alicerce para a criança”, relata Lucicleide Soares de Jesus Araújo, mãe de dois estudantes.
Um projeto de vida para educadores
Para muitos profissionais, a escola não é apenas um local de trabalho, mas parte de sua trajetória pessoal. Professora há 15 anos na instituição, Charleny Pereira dos Santos entrou como estagiária. “A cada amanhecer, estar na escola João Paulo II é estar em uma terra santa. Todo dia é um novo dia, um novo recomeço de aprendizado, acima de tudo. É muito importante, faz parte da minha vida isso. As crianças com esse novo projeto ganham muito também”, projeto.
Ana Célia Dantas Tanure enfatiza o caráter intencional do projeto educativo. “ A escola é referência, tanto na comunidade como na cidade. E o trabalho vai além do trabalho pedagógico: tudo é um processo, tudo é uma construção, todos os espaços e o trabalho dessa escola foi intencionalmente pensado para a gente atender da melhor forma possível a comunidade”.
A história da coordenadora administrativa da Escola, Josecildes de Almeida, começou há 33 anos. “A gente inicia com o projeto de educação popular, inserido dentro de uma comunidade da Queimadinha, e com o projeto de oferecer uma educação de qualidade, de excelência, e é isso que a gente preza até hoje”, explica, completando: “O que me motiva? Saber que é possível dar direito de quem foi tirado o direito. Direito à educação de qualidade, de excelência, para que o indivíduo, a criança e sua família tenham direito de fazer escolhas. Esse é o meu grande legado. E eu tenho certeza que a Companhia de Jesus me trouxe isso. O desejo de ser presença”.
O diretor-geral, Pe. João Francisco Haetinger, SJ, sintetiza o propósito da escola. “Esse é um centro, não só de aprendizagem, mas de formação humana, de formação integral. Nós estamos ligados, desde a sua raiz, na formação de muitos jovens e adultos que por aqui passaram. A escola é esse desejo de oferecer a essa comunidade a possibilidade de aprender, de se formar, e também, no fundo, nós temos essa confiança, que a educação é um espaço de construção do indivíduo, de formação humana, onde a gente pode mudar um indivíduo e, assim, mudar a sociedade. Cremos que esse é um caminho de transformação através da educação”.



