Entre os dias 1º e 04 de julho, o Colégio Diocesano, em Teresina (PI), realizou a VII edição da Simulação da Organização das Nações Unidas (DIONU). Durante quatro dias, estudantes participaram de simulações que reproduzem o funcionamento de organismos nacionais e internacionais, debatendo temas atuais e históricos que desafiam governos e sociedades em todo o mundo.
Nesta edição, a DIONU contou com quatro comissões: Organização dos Estados Americanos (OEA), United Nations High Commissioner for Refugees (UNHCR), G20 e Câmara dos Deputados. Entre os temas discutidos, estiveram a crise dos mísseis soviéticos em Cuba, a preparação para pandemias e o financiamento da saúde global, as mudanças climáticas e o deslocamento forçado de refugiados, além de pautas relacionadas à segurança pública no Brasil.
Para Ana Carolina Lopes, egressa do Colégio Diocesano, acadêmica de Jornalismo da UFPI e integrante do Secretariado-Geral da DIONU, um dos principais desafios desta edição foi selecionar os temas que seriam debatidos. “Com as diversas realidades, conflitos e guerras ao redor do mundo, tudo se torna muito importante de ser debatido. Então, como selecionar somente quatro comitês e somente quatro temáticas? Foi muito desafiador escolher temáticas diversas que pudessem abraçar os diferentes interesses dos alunos”, comentou.
Ela também destacou a preparação dos participantes antes do início da simulação. “A organização precisou preparar os alunos para essas discussões, e contamos com o apoio dos professores de Geografia e História do Colégio justamente para trabalhar essas temáticas e deixá-los atualizados, já que cada participante representa uma delegação importante dentro da discussão”, afirmou.
Ao avaliar a VII DIONU, Ana Carolina afirma que o maior destaque do evento são os próprios estudantes. “Os alunos são o verdadeiro destaque da DIONU. A gente percebe a evolução deles ao decorrer dos dias. Ver esse crescimento, vencer a timidez, o medo de falar em público, apoiar aquilo que a delegação pensa, desenvolver autoconfiança e autoestima é algo que realmente merece destaque. A DIONU transforma os alunos. Ela ensina a pensar a cidadania global com muita consciência para que sejamos agentes de transformação mundo afora”, completou.
Sophia Nery, aluna da 3ª série do Ensino Médio e integrante do Secretariado-Geral, explica que a escolha das comissões também levou em consideração a participação dos próprios estudantes. “Primeiro pensamos quais comitês e temas eram mais relevantes e despertariam maior interesse. Depois fizemos um fórum em que as pessoas colocavam ideias de comitês e temas que queriam simular, com justificativas. A partir disso, selecionamos as ideias e decidimos por temas que tivessem grande adesão por parte dos alunos”, declarou.
Para ela, as principais habilidades desenvolvidas ao longo da DIONU vão além da oratória. “A gente fala muito sobre a habilidade da oratória, mas acima dela eu acho que desenvolvemos a capacidade de entender o nosso potencial dentro do mundo e a voz que os jovens devem ter. Quando a gente vem para esse contexto da ONU, percebe que os jovens podem, sim, participar de discussões e que têm capacidade de modificar o mundo. Além disso, a gente descobre aptidões. Pessoas descobrem que gostam de fotografia, de desenho, de organização. Descobrimos um mundo de habilidades dentro de um projeto só”, mencionou.
A experiência também marcou quem participou das comissões. Lucas Chaves, da 2ª série do Ensino Médio e integrante da mesa do comitê G20, destacou o desafio de representar realidades diferentes da sua. “É impressionante perceber agora coisas que não são percebidas enquanto se debate. Ver, principalmente, delegados novatos representando a opinião de um líder de uma cultura e de uma geração muito diferentes é um desafio. Muitas vezes as posições convergiam, mas também divergiam, como na questão dos imigrantes, da relação com outros países e do posicionamento político. Foi incrível ver que eles tiveram que lidar com uma situação e defendê-la, como a questão do acesso à saúde, que aqui no Brasil é um serviço de relativo fácil acesso, mas que, em alguns países representados, é tratado como um serviço privado”, relatou.
No comitê em inglês da UNHCR, Ana Cecília Soares Leite, do 8º ano, destacou o impacto de discutir problemas reais. “O que mais me surpreendeu foi a capacidade que cada um de nós teve para lidar com problemas que realmente estão acontecendo no mundo. Negociar de forma lógica e propor soluções que mudariam vidas foi o que mais me impressionou. Isso me fez sentir uma cidadã do mundo, uma pessoa que realmente tem um papel no mundo e na sociedade”, citou.
Para Ysis Valentinne Costa de Medeiros, da 1ª série do Ensino Médio, a DIONU representa uma experiência que ultrapassa os dias da simulação. “A DIONU me proporcionou trabalhar habilidades que nenhuma outra simulação da ONU conseguiria me proporcionar. Meus três anos de DIONU me fizeram ser uma pessoa que sabe defender as pessoas que amo e meus princípios sem medo de receber uma crítica. Essa simulação me fez ser alguém que só imaginava ser nos meus sonhos e agora sou alguém que, tanto na vida acadêmica quanto na futura vida profissional, sabe o que merece, sabe defender aquilo que ama e entende que seus erros sempre vão trazer um ensinamento”, finalizou.




