A inovação ganhou espaço na edição de 2026 das Olimpíadas do Colégio dos Jesuítas, em Juiz de Fora (MG), graças à iniciativa do estudante da 1ª série do Ensino Médio, Eduardo Montal, que desenvolveu um painel digital para reunir, em tempo real, os placares de todas as modalidades disputadas. Exibido nos televisores espalhados pelo Colégio, próximos aos espaços do torneio, o painel era atualizado pelo próprio aluno. O sistema permitiu que estudantes, educadores e toda a comunidade educativa acompanhassem simultaneamente a pontuação de cada turma.
A iniciativa evidencia como a tecnologia pode ser integrada à educação de forma consciente, por meio do estímulo à criatividade e à aplicação prática dos conhecimentos em benefício da comunidade. Segundo Eduardo, o mecanismo foi criado com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial empregadas no desenvolvimento da plataforma. “Desenvolver esse painel foi uma forma que encontrei para que nós, estudantes do Colégio, conseguíssemos nos informar sobre o resultado dos jogos, se a turma ganhou ou perdeu em cada partida, mesmo não estando no local da disputa”, explica.
A ideia surgiu a partir da percepção de que uma ferramenta que reunisse e exibisse os resultados poderia facilitar o acompanhamento das competições. “A ideia surgiu após eu perceber que uma organização e exibição dos resultados dos jogos ajudaria os estudantes do colégio a saberem de jogos em que não puderam assistir, ou jogos de outras turmas, como a do irmão/irmã, ou até mesmo onde iria acontecer tal jogo, por exemplo”, conta Eduardo.
O interesse do estudante por programação e tecnologia, no entanto, começou antes do projeto das Olimpíadas. A aproximação com a área aconteceu por incentivo do pai, que identificou seu potencial e o levou à casa de um amigo que desenvolvia projetos envolvendo eletrônica e programação. A experiência despertou a curiosidade de Eduardo, que passou a buscar conhecimentos por conta própria. “Me interessei pelo tópico e comecei a buscar sobre na internet, assistir vídeos e tentar fazer coisas mais simples primeiro”, relata.
Tecnologia a serviço de uma necessidade real
Para desenvolver o painel, Eduardo utilizou o Gemini como ferramenta de apoio e buscou uma solução que permitisse atualizar as informações em tempo real. Foi assim que conheceu o Firebase, plataforma do Google que oferece recursos para o desenvolvimento de sites e aplicações. A partir da ideia inicial, a inteligência artificial auxiliou na construção do código-base, mas o desenvolvimento foi conduzido pelo próprio estudante, que foi testando possibilidades, fazendo alterações e buscando compreender as soluções apresentadas pela ferramenta. “Após isso, enviei a minha proposta para a IA, que me entregou o código base. A partir dele, fui realizando melhorias, mostrando as minhas ideias para o Gemini, que me mostrava a maneira de adicionar isso ao código e eu implementava isso na página. Às vezes, eu tentava, por conta própria, adicionar ou corrigir algo, e quando não funcionava, eu recorria à IA, mas sempre tentando entender o código que me enviava, para que eu possa, futuramente, fazer outra melhoria ou desenvolver algo mais”, afirma.
A experiência também demonstra uma forma de utilizar a inteligência artificial como ferramenta de aprendizagem e criação, sem substituir a participação ativa do estudante no processo. Eduardo partiu de uma necessidade concreta, pesquisou alternativas, desenvolveu uma solução e foi aprimorando o sistema a partir de testes e novos conhecimentos. A motivação para dedicar tempo ao projeto esteve justamente na possibilidade de produzir algo que tivesse uma aplicação prática para a comunidade escolar. “Me ofereci a dedicar um tempo para isso principalmente porque achei que isso iria melhorar as Olimpíadas de uma maneira positiva e que iria ser útil para todos, além do meu interesse na área e de desenvolver algo que fosse realmente aplicado em um contexto coletivo e escolar”, destaca.
Uma construção coletiva
Embora a iniciativa tenha sido desenvolvida por Eduardo, o projeto contou com o apoio de diferentes profissionais do Colégio. O professor Saulo, coordenador da Escola de Esportes e Cultura, foi quem apresentou a proposta que deu origem ao painel. A equipe de Comunicação também contribuiu para que a solução pudesse chegar aos estudantes e educadores durante as Olimpíadas. “Para mim, a experiência aumentou os meus conhecimentos na área da tecnologia, o que é necessário futuramente caso eu escolha este como meu rumo profissional. Ela me mostrou que apenas uma ideia simples pode ajudar e melhorar muito um evento, ambiente ou as pessoas em geral”, conclui.
Matéria atualizada em 17/08/2026.


