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EFI: uma experiência de formação que transforma quem educa

Educar envolve ensinar conteúdos, mas também acompanhar os estudantes em seus processos de autoconhecimento, ajudá-los a reconhecer possibilidades e apoiá-los na construção de escolhas com sentido. Essa dimensão da formação integral ganha especial intensidade no Encontro de Formação Integral (EFI) da Rede Jesuíta de Educação Básica (RJE), que reúne jovens de diferentes unidades educativas para uma experiência de aprofundamento pessoal, espiritualidade, convivência e reflexão sobre o projeto de vida.

Para Rosilene Aparecida de Oliveira, coordenadora de Formação Cristã do Colégio São Luís, em São Paulo (SP), e Marcio Longhi, coordenador do EFI e do Ensino Médio do Colégio Anchieta, em Porto Alegre (RS), acompanhar os jovens nessa caminhada é uma oportunidade de aprender, rever perspectivas e renovar o sentido da própria escolha pela educação.

Trajetórias que se encontram no EFI

A relação de Rosilene com a educação jesuíta começou antes mesmo de sua atuação profissional no Colégio São Luís. Ex-aluna da ETE FMC, em Santa Rita do Sapucaí (MG), ela conheceu a espiritualidade inaciana durante um encontro de Semana Santa Jovem, em 1997. Anos depois, após uma trajetória profissional na área de Tecnologia da Informação e experiências de acompanhamento espiritual de jovens, recebeu o convite para atuar na Formação Cristã do Colégio São Luís, em 2021. “Pedi um tempo para discernir conforme me soprasse o Espírito de Deus em meu coração, afinal tratava-se de uma abrupta transição de carreira. Depois de dois dias resolvi aceitar a proposta e ingressei neste colégio em 26 de julho de 2021”, recorda. A participação no EFI veio em 2023. 

Já Marcio iniciou sua trajetória no Colégio Anchieta em 2011, como professor de Ensino Religioso e História no Ensino Fundamental II. Ao longo dos anos, assumiu outras responsabilidades na gestão e na coordenação do Serviço de Orientação Religiosa, Espiritual e Pastoral (Sorep). A sua história com o EFI começou em 2019, quando foi convidado a integrar a equipe de educadores. Desde então, acompanhou as cinco últimas edições realizadas no Rio Grande do Sul, sendo as duas últimas como coordenador-geral. “Então, de certa forma, minha trajetória no EFI também acompanha um momento importante da minha própria trajetória como educador”, afirma.

Acompanhar sem escolher pelo estudante

Durante o EFI, os princípios da educação jesuíta são vivenciados em uma experiência imersiva, na qual os jovens têm a oportunidade de olhar para si mesmos, conhecer outras realidades, compartilhar histórias e refletir sobre suas escolhas. Para Marcio, a diferença está na intensidade com que as experiências são vividas e refletidas. “A força do EFI está justamente nessa dinâmica da experiência refletida. Não se trata apenas de viver muitas coisas, mas de ajudar o jovem a perceber o que essas experiências produzem nele e o que ele fará com aquilo que descobriu. E isso transforma não apenas os estudantes. Transforma também nós, educadores”, analisa. 

Nesse processo, o protagonismo pertence ao estudante. Cabe ao educador oferecer condições para que ele reconheça suas potencialidades, reflita sobre seus valores e encontre caminhos próprios, sem receber respostas prontas. “No EFI, o protagonista é sempre o estudante. O papel do educador não é oferecer respostas prontas nem apontar qual caminho ele deve seguir. É acompanhá-lo para que possa perceber melhor aquilo que está vivendo e reconhecer possibilidades”, explica Marcio.

Rosilene também destaca a importância de ajudar os jovens a reconhecerem sua própria história e os valores que orientam suas decisões. Para ela, o autoconhecimento é parte fundamental da construção de um projeto de vida comprometido com o bem comum. “É essencial que o educador fortaleça, no estudante, o sentimento de pertença à sua própria história de vida, às suas origens e, especialmente, aos seus valores, para que, a partir desse reconhecimento, possa descobrir e consolidar sua verdadeira identidade.”

O que os jovens ensinam a quem educa

A experiência de acompanhar os estudantes no EFI também repercute na atuação cotidiana dos educadores. Para Marcio, a convivência mais próxima permite conhecer os jovens para além das demandas acadêmicas e estabelecer relações educativas baseadas na confiança. “Talvez uma das maiores lições que eu tenha levado do EFI seja justamente essa: para educar os jovens, precisamos primeiro estar verdadeiramente com eles. Não apenas falar para eles ou pensar por eles, mas estar presentes, escutar e caminhar junto. Quando fazemos isso, nossa própria maneira de educar também muda.”

Rosilene compartilha dessa percepção e ressalta a importância da escuta atenta e do reconhecimento da singularidade de cada estudante. As experiências no EFI, segundo ela, renovam a confiança na capacidade dos jovens de contribuir para um mundo melhor. “Os jovens percebem quando são verdadeiramente escutados, quando suas histórias são valorizadas e quando reconhecemos a importância de cada um em sua individualidade. Essa experiência reafirma em mim a convicção de que educar também significa estabelecer vínculos genuínos, pautados na escuta, no acolhimento e no respeito, para que cada estudante se sinta reconhecido e encorajado a desenvolver plenamente suas potencialidades”, diz.

Para os dois educadores, o EFI também é um espaço de transformação pessoal. Rosilene destaca o aprendizado de confiar em Deus e nas pessoas que compartilham a missão. Marcio, por sua vez, reconhece no Encontro um espaço em que os princípios da Pedagogia Inaciana ganham vida, mostrando como a experiência, quando acompanhada de reflexão, pode gerar mudanças.

Uma escolha que continua fazendo sentido

Depois de anos dedicados à educação e ao acompanhamento dos jovens, Rosilene e Marcio encontram no protagonismo estudantil e na formação integral razões para seguir nessa missão. “Como educadora, levo comigo a certeza de que, quando oferecemos oportunidades para que os jovens se reconheçam como protagonistas de suas próprias histórias e compreendam que seus talentos podem ser colocados a serviço dos demais, contribuímos para a construção de projetos de vida com sentido, compromisso e propósito”, afirma Rosilene.

O acompanhamento é parte essencial do trabalho educativo e a confiança nos jovens pode contribuir para a transformação da sociedade. “No fim, é isso que continua fazendo sentido para mim como educador: estar ao lado dos jovens enquanto eles constroem seus próprios caminhos e perceber que, nesse processo, nós também continuamos sendo transformados”, pondera Marcio.

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