A história de Vila Oliva acaba de ganhar um registro especial. Em uma iniciativa da 4A, Associação dos Antigos Alunos, e com a chancela do Colégio Anchieta, em Porto Alegre (RS), o antigo aluno Fernando Di Primio lançou um livro comemorativo pelos 80 anos do espaço. Fruto de uma extensa pesquisa, a obra reúne informações coletadas em livros de atas, documentos históricos, fotografias e depoimentos de diferentes gerações. O resultado é um relato que preserva a memória de Vila Oliva e mostra como o local se consolidou como um ambiente de convivência, espiritualidade, amizade e formação humana ao longo das décadas.
Para o autor, o processo de construção do livro foi desafiador, mas recompensador. “A expectativa é que as pessoas realmente gostem dessa história. Foi muito difícil contá-la, porque precisou resgatar documentos, livros de atas e muitos depoimentos. Aos poucos, conseguimos construir uma história bem bacana”, destacou.
O livro já está disponível para aquisição na Casa do Estudante, no Colégio Anchieta. É uma oportunidade para antigos e atuais alunos, famílias e toda a comunidade anchietana conhecerem, reviverem e preservarem um capítulo tão importante da história da instituição.
Um pouco de história
A Casa da Juventude Joanin Rossetti, em Vila Oliva, distrito de Caxias do Sul, nasceu como uma colônia de férias para os estudantes de Porto Alegre. O casarão avarandado, na cor laranja, faz parte das boas memórias de gerações de ex-alunos. Vila Oliva se formou na década de 1930. Os irmãos Francisco e Luís Oliva adquiriram uma área de terras, onde iniciaram atividades voltadas à extração de madeira. Em julho de 1945, o Pe. Henrique Pauquet, diretor da Congregação Mariana do Colégio Anchieta, realizou um acampamento com cerca de 30 alunos na localidade. Ele conheceu a pequena comunidade por intermédio do Pe. Marchese, vigário de Santa Lúcia do Piaí, outro distrito caxiense.
O grupo anchietano chegou a Caxias do Sul de trem e, depois, seguiu de caminhão até o recanto em meio aos pinheirais. Os estudantes ficaram alojados no salão da Sociedade Esportiva Vila Oliva. A acolhida da comunidade foi imediata. No fim das agradáveis férias de inverno, o jesuíta anunciou aos moradores que voltariam para acampar no verão. Um morador, Adriano Bozza, entusiasmado com a possibilidade de ter gente de Porto Alegre duas vezes por ano lá, teria sugerido ao padre a construção de uma casa. Ofereceu um terreno de cerca de 12 hectares, que era de Francisco Oliva, vendido por preço baixo. Moradores também prometeram ajudar na construção, inclusive repassando madeira de graça.
O Pe. Pauquet, em uma espécie de contrato verbal, fechou o negócio. Com 29 metros de comprimento, 11 de largura e um avarandado, a Casa da Juventude não estava totalmente pronta quando recebeu a primeira turma de alunos, em 28 de dezembro de 1945. O casarão foi oficialmente inaugurado em 06 de janeiro de 1946. A primeira turma foi integrada por 75 anchietanos, incluindo o Pe. Henrique Pauquet e outros três jesuítas, além de 25 integrantes do grupo escoteiro do Colégio Marista Rosário.
Nos anos seguintes, a estrutura foi ampliada na Serra. A piscina foi liberada para banho em 1947. A icônica capela de madeira, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, foi inaugurada em 1954, tornando-se o cenário clássico para as fotos das turmas. Em 1960, um ginásio de esportes completou o complexo, que também contava com campo de futebol.
O velho casarão de madeira abrigou milhares de anchietanos por 60 anos. Nos anos 2000, foi substituído por um prédio moderno, adequado às novas necessidades de acessibilidade e conforto. A antiga construção permanece preservada, usada em algumas atividades. A Casa da Juventude é um local que hoje integra projetos pedagógicos, retiros e convivência familiar, preservando o espírito inaciano e o contato com a natureza da Serra.



