A educação integral vivenciada no Colégio Anchieta, em Porto Alegre (RS), segue produzindo frutos muito além da vida escolar. Prova disso é a conquista dos antigos alunos Verônica Vanti, estudante de Design da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e Andrei Vince, estudante de Engenharia da Computação na University of North Carolina at Charlotte. A dupla conquistou o 2º lugar no Stanford Center on Longevity Design Challenge 2025–2026, competição internacional promovida pela Stanford University, cuja final aconteceu no mês de abril.
Único projeto brasileiro entre os finalistas, o Neevel recebeu US$ 5 mil em premiação. A proposta foi criada para contribuir com a prevenção de quedas entre pessoas idosas, um dos principais desafios para a autonomia e o bem-estar ao longo do envelhecimento. O sistema reúne palmilhas sensorizadas, que identificam sinais de risco durante a caminhada, e uma base em formato de luminária, com orientações de exercícios diários de equilíbrio por áudio.
Para Verônica, a conquista também reflete as oportunidades de aprendizagem vividas no Colégio Anchieta, onde participou de iniciativas como o MAGIS Inovação, a Miniempresa, o Grêmio Estudantil Anchieta, o Curso de Lideranças e projetos de voluntariado. “Essas experiências me permitiram desenvolver habilidades importantes ainda no colégio, em um espaço no qual eu tinha o apoio de colegas e professores, infraestrutura e liberdade para testar, errar e assumir responsabilidades aos poucos. Foi uma oportunidade de aprender tudo isso com tempo e acompanhamento, sem a pressão de quem só começa a desenvolver essas habilidades quando chega à universidade ou ao mundo profissional”, recorda.
Essas vivências também despertaram o interesse de Verônica pela inovação, pelo empreendedorismo e pelo design. “A Miniempresa e o MAGIS Inovação tiveram um papel muito importante. Na Miniempresa, nós participamos de todo o processo de criação de uma empresa, desde o desenvolvimento do produto até a produção, a gestão e as vendas. A experiência mostrou, de forma muito concreta, como uma empresa funciona e tornou o empreendedorismo algo mais próximo e possível. Nossa Miniempresa foi reconhecida como a melhor do Rio Grande do Sul, o que tornou essa experiência ainda mais marcante. Já no MAGIS, foi durante a montagem do palco, no Espaço Maker, que comecei a perceber que o design poderia ser uma profissão para mim. Foi ali que descobri o quanto gostava de criar, usar a criatividade e colocar a mão na massa”, destaca.
Ela explica que a inspiração para o Neevel surgiu de uma experiência pessoal vivida pela avó, durante o desenvolvimento de uma solução para o desafio proposto pela competição. “O Stanford Center on Longevity Design Challenge propunha a criação de uma solução voltada à longevidade e à prevenção, pensando em como ajudar as pessoas a viverem mais e melhor. A inspiração para o nosso projeto veio da minha avó, Valderez. Ela sempre foi muito independente, mas, depois de sofrer uma queda e quebrar a perna, passou alguns meses com a rotina e a autonomia bastante limitadas. Mesmo tendo se recuperado, essa experiência nos mostrou o impacto que uma única queda pode ter na vida de uma pessoa idosa”, explica.
Segundo Andrei, a equipe buscou desenvolver uma solução que realmente dialogasse com a realidade das pessoas idosas, tornando a tecnologia acessível e fácil de incorporar ao cotidiano. “Durante a pesquisa, percebemos que já existiam soluções voltadas às quedas, mas muitas dependiam de aplicativos, celulares ou hábitos digitais que não faziam sentido para todas as pessoas idosas. Por isso, buscamos desenvolver uma solução pensada para a realidade da rotina do usuário. O Neevel é um sistema de prevenção de quedas que pode ser incorporado ao dia a dia sem exigir o uso de um celular”, conta.
O reconhecimento internacional reforçou o potencial da iniciativa e incentivou a equipe a seguir aprimorando o projeto. “A conquista do prêmio representou uma validação muito forte de que um problema observado em uma família brasileira poderia gerar uma solução com relevância internacional. Também trouxe responsabilidade para continuarmos testando e aprimorando o projeto com seriedade. Foi uma conquista da equipe, das nossas famílias, dos mentores e de todas as experiências que ajudaram a construir o Neevel”, comemora.
Para aqueles que desejam transformar ideias em soluções para a sociedade, Andrei deixa um recado: “Não esperem ter tudo pronto para começar. Escolham um problema que realmente importa para vocês, conversem com as pessoas afetadas, testem cedo e aceitem mudar a ideia quando a realidade mostrar algo diferente. Projetos capazes de transformar a realidade começam quando alguém decide olhar para um problema com atenção e dar o primeiro passo”.




