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Da aluna à professora: 42 anos de história no Colégio Catarinense

Antes mesmo de ser aluna ou professora, Raquel Coelho Sabatini já conhecia os corredores do Colégio Catarinense, em Florianópolis (SC). Filha de dois professores da instituição, ela cresceu convivendo com a escola e acompanhando de perto a rotina de seus pais. Hoje, com 42 anos de docência no Colégio, Raquel olha para essa história com orgulho, gratidão e um profundo sentimento de pertencimento. “Minha história com o Colégio Catarinense começou muito antes de eu me tornar aluna ou professora. Meus pais dedicaram grande parte de suas vidas à instituição”, conta. Seu pai foi professor de Português, Latim e Francês e, posteriormente, coordenador do colégio até 1983. Sua mãe também integrou a equipe docente, lecionando “Educação para o lar”.

As primeiras memórias de Raquel com o Catarinense remontam à infância. Aos cerca de sete anos, acompanhava os pais em festas de Natal, confraternizações e churrascos promovidos pela instituição. “Já circulava pelos corredores, convivendo com os colegas e amigos deles. Antes mesmo de ser estudante, o Catarinense já era um lugar familiar para mim”, recorda. Anos mais tarde, ela viveu a escola a partir de outra perspectiva: como estudante, do 5º ano até a 1ª série do Ensino Médio. A experiência ampliou ainda mais o vínculo com a instituição e deixou lembranças que permanecem até hoje.

Foi durante a graduação em Educação Artística que o caminho para a docência começou a se desenhar. Depois de concluir a licenciatura curta, Raquel recebeu a oportunidade de substituir, por três meses, a professora Aurélia. A indicação partiu justamente de seu pai, que conhecia a necessidade do colégio e acompanhava sua formação. “Meu pai, que conhecia a necessidade da escola e acompanhava minha formação, perguntou se eu gostaria de assumir essa experiência. Aceitei o desafio, e aqueles três meses mudaram a minha vida. A professora não retornou, eu permaneci na função e, desde então, passaram-se 42 anos dedicados ao Colégio Catarinense. Foi nessa experiência que tive a certeza de que a educação era o meu caminho. Ensinar, acompanhar o crescimento dos alunos e fazer parte da vida da escola tornaram-se muito mais do que uma profissão, tornaram-se uma vocação”, lembra.

Ao longo de mais de quatro décadas como professora de Artes, Raquel acompanhou gerações de estudantes e inúmeras transformações do Colégio Catarinense. A instituição, porém, também permaneceu como um espaço de vínculos e memórias pessoais. “Conheço cada canto da escola. Vivi ali momentos importantes da infância, da adolescência e da vida adulta. Construí amizades que atravessam décadas, compartilhei histórias com colegas, alunos e famílias e acompanhei inúmeras transformações do colégio”, ressalta.

Essa relação também representa uma continuidade da história construída por seus pais. Para Raquel, saber que eles ajudaram a escrever parte da história do Catarinense e que ela própria pôde contribuir, primeiro como aluna e depois como professora, traz uma forte sensação de pertencimento. “É como se eu também fosse um pequeno tijolo na construção dessa escola centenária. Essa sensação de pertencimento é motivo de muito orgulho e gratidão”, diz.

A missão educativa, nesse contexto, também ganhou um significado especial. “Fazer parte de uma escola da tradição educativa inaciana significa acreditar que educar vai muito além de ensinar conteúdo. É ajudar a formar pessoas, transmitir valores, incentivar o respeito, a solidariedade, a responsabilidade e o cuidado com o outro”, considera. E, ao mesmo tempo em que ensina, Raquel reconhece que também continua aprendendo. “Ao longo desses anos, percebo que também fui formada pela escola, aprendendo diariamente com os alunos, colegas e com a missão educativa que o Colégio Catarinense representa”, reflete.

Se tivesse que escolher uma única palavra para definir sua história, a professora não hesita: pertencimento. “Cresci em seus corredores, estudei em suas salas de aula, construí minha carreira e minhas amizades e continuo, depois de tantos anos, sentindo que esta é a minha segunda casa.”

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