Aos 16 anos, Clara Mendonça deixou o Colégio Santo Inácio, em Fortaleza (CE), depois de 11 anos de trajetória na instituição. A saída, porém, não significou o fim dos vínculos construídos durante a vida escolar. Em 2026, a ex-aluna retornou ao colégio em uma nova função: ela foi uma das secretárias-gerais da IV ONU Intercolegial da Rede Jesuíta de Educação, realizada entre os dias 15 e 18 de setembro.
A experiência marcou um novo capítulo de uma história iniciada em 2013, quando Clara tinha 6 anos. Hoje, ela cursa Psicologia no Centro Universitário Fametro e Ciências Sociais na Universidade Federal do Ceará (UFC) e reconhece na formação recebida no Santo Inácio referências que continuam presentes em sua trajetória. “O Santo Inácio me ajudou a entender quem eu sou hoje e quem eu era quando estudante e continua me ajudando. Porque quando você é inaciano, você nunca deixa de ser. Então, todos esses ensinamentos continuam comigo, eu carrego para sempre e é um privilégio”, afirma.
Para Clara, a experiência no colégio foi decisiva não apenas para sua formação acadêmica, mas também para a construção de sua identidade. Ela destaca o olhar para o ser humano como uma das características que mais valoriza na educação recebida. “Ele representa tudo na minha formação. O Santo Inácio me formou como pessoa. Eu entrei aos seis anos e saí com 16. Então, é muita coisa. Tudo que eu entendo por gente, foi por conta do Santo Inácio. Ser aluna do Colégio Santo Inácio mudou minha visão de mundo, continua mudando, porque para sempre eu vou ser inaciana”, ressalta.
Experiências que deixam marcas
Ao recordar a sua passagem pela instituição da RJE, Clara destaca a presença dos professores, coordenadores, diretores e de toda a equipe educativa em sua formação. Entre as experiências vividas, algumas ocupam um lugar especial, como a Olimpíada Nacional de História do Brasil (ONHB), da qual participou da etapa final, em Campinas (SP), em 2023, e o Encontro de Formação Integral (EFI), realizado no mesmo ano. Foi no EFI que, segundo ela, muitas descobertas sobre si mesma ganharam espaço. “O Encontro de Formação Integral mudou a visão que eu tinha do Santo Inácio, a visão que eu tinha da Rede Jesuíta e, com certeza, a visão que eu tinha de mim mesma. É um projeto que me mudou de todas as formas, é uma experiência que transforma, que você vive 100% intensamente e sai cheia de aprendizado”, recorda.
Entre os principais aprendizados que levou do EFI, Clara destaca a valorização das amizades, o cuidado consigo mesma e a atenção ao outro. “Isso eu levo para todos os espaços da minha vida, para a faculdade, para os meus colegas da faculdade, para as minhas colegas do EFI. Para o Santo Inácio, para os meus colegas de outros estados, a valorização da amizade foi algo que eu aprendi muito no EFI, e que o tempo muitas vezes não vai descrever o que você sente por uma pessoa, então em pouco tempo eu posso sair amando uma pessoa de uma forma muito bonita, e está tudo bem. O outro é alguém tão importante como eu. Eu preciso enxergar ele da mesma forma como eu me enxergo no quesito importância, no quesito experiência, no quesito ajuda”, explica.
De participante a secretária-geral
Três anos depois de participar do EFI como estudante, Clara voltou ao Santo Inácio para assumir uma função de liderança na IV ONU Intercolegial. A experiência trouxe novos desafios: em vez de participar como estudante, ela passou a contribuir diretamente para a construção do projeto. “Eu participei do EFI em 2023, retornei esse ano de 2026 como secretária-geral da IV ONU Intercolegial, e esse ano também irei ser monitora do EFI, em outubro. E, com certeza, é uma Clara totalmente diferente, porque em 2023 eu ainda estava entendendo a minha vida, e claro, eu ainda estou nessa fase, mas muitas coisas já estão consolidadas, agora eu já estou na faculdade, a minha visão de mundo é outra, porque quando você sai do colégio você se depara com isso”, analisa.
Ela também vê mudanças na maneira como se posiciona diante das situações e das pessoas. Para ela, assumir novas responsabilidades foi uma oportunidade de colocar em prática aprendizados construídos ao longo da formação. “Eu sou uma pessoa com mais conhecimento de mundo, uma pessoa mais madura, uma pessoa com mais histórias para contar, uma pessoa que quer repassar tudo o que o Santo Inácio me deixou, essa bagagem, também para outras pessoas, então é sempre nesse olhar com o outro, para o outro, que o Santo Inácio sempre me ensinou, e que eu espero também tocar outras pessoas com essa fala, com esse movimento”, defende.
Na organização da IV ONU Intercolegial, Clara esteve diante de um cenário diferente daquele vivido como estudante. A função exigiu planejamento, diálogo, tomada de decisões e capacidade de lidar com diferentes pessoas e situações. “Assumir uma posição de liderança na IV ONU Intercolegial foi um privilégio. Eu tive um apoio enorme da equipe do colégio, um apoio enorme da outra secretária-geral, nós conseguimos fazer um trabalho lindo, muito elogiado, um projeto que me agregou demais”, conta. A experiência permitiu que Clara percebesse, na prática, como conhecimentos e habilidades desenvolvidos durante a vida escolar podem ser mobilizados em novos contextos.
Para ela, iniciativas como o EFI e a ONU Intercolegial contribuem para desenvolver habilidades e vínculos que ultrapassam o período vivido na escola. Por isso, quando pensa nos estudantes que hoje têm a oportunidade de participar dessas experiências, Clara não hesita em incentivá-los. “Se eu conversasse hoje com um aluno que está em dúvida se deve ou não participar, eu falaria que ele com certeza tem que ir, que ele tem que se jogar para todas as experiências que o Santo Inácio e a Rede Jesuíta têm à disposição, ele tem que usar tudo isso”, encoraja.
Entre as aprendizagens que reconhece nessas iniciativas, ela cita o desenvolvimento da oratória, da postura, do autoconhecimento, da empatia e das amizades. São experiências que, para Clara, permanecem como parte de sua história. “Nunca vou esquecer que eu participei desses projetos e sempre quando eu tenho a oportunidade de incentivar alguém a participar, eu estou incentivando. Sempre falo bem, com muito amor, com os olhos cheios de lágrimas, porque são projetos que me mudaram como pessoa, literalmente, são projetos que eu carrego da minha história no meu coração”, comenta.
Hoje, ao retornar ao espaço onde passou 11 anos de sua vida, Clara ocupa outro lugar. A ex-aluna tornou-se uma das responsáveis por construir uma experiência para novos estudantes da Rede. E, nesse movimento, reconhece que aquilo que recebeu continua fazendo parte de quem é. “O Santo Inácio faz parte de mim, faz parte de quem eu sou, faz parte da minha história”.




