Dez dias de convivência, reflexão, espiritualidade e descobertas marcaram a 9ª edição do Encontro de Formação Integral (EFI) da Rede Jesuíta de Educação Básica (RJE), realizada entre os dias 05 e 14 de outubro, na Casa da Juventude Joanin Rosseti, em Vila Oliva, Caxias do Sul (RS). Ao todo, 75 estudantes do Ensino Médio, de 14 unidades da Rede, participaram da experiência, acompanhados por 22 educadores e nove monitores, antigos alunos que retornaram ao encontro para contribuir com a formação dos jovens.
Inspirado na trajetória de Santo Inácio de Loyola e na espiritualidade inaciana, o EFI convida os estudantes a aprofundar o autoconhecimento, refletir sobre suas escolhas e desenvolver habilidades para exercer uma liderança comprometida com o bem comum. Para Maria Ducarmo, estudante da Escola Santo Afonso Rodriguez (Esar), em Teresina (PI), a experiência trouxe uma reflexão sobre o sentido da felicidade e a importância de colocar o amor a serviço dos outros. “Aqui no EFI eu aprendi e entendi que não vale a pena viver apenas em prol da minha própria felicidade”, compartilha. Ela conta que deixa o encontro com “um grande desejo de servir com esse amor”, reconhecendo a capacidade de transformar suas relações a partir do que vivenciou.
A descoberta de si e a construção de vínculos também foram marcantes para Pedro Nader, do Colégio Santo Inácio, do Rio de Janeiro (RJ). “O EFI tem me ajudado muito a me encontrar e a fazer diversos amigos que eu espero muito levar para o resto da minha vida”, afirma. As atividades e reflexões propostas ao longo dos dias também o levaram a pensar sobre seu lugar no mundo e sobre o significado de amar e servir.
Já Elisa Costa, do Colégio dos Jesuítas, em Juiz de Fora (MG), chegou ao Encontro disposta a acolher os aprendizados, e encerra a experiência reconhecendo descobertas pessoais que pretende levar para além de Vila Oliva. “Hoje eu consigo falar que no EFI eu descobri coisas que estavam guardadas dentro de mim, coisas que eu não sabia que existiam”, relata. Ao resumir o EFI em uma palavra, ela escolhe amor, presente nas pessoas, nas dinâmicas e no cuidado vivenciado durante o encontro.
Uma experiência que começa antes e continua depois
As motivações que levaram os estudantes a participar do EFI são diversas, mas convergem no desejo de viver uma experiência capaz de produzir mudanças. Para Valentina Mussi, do Colégio Anchieta, em Nova Friburgo (RJ), participar do Encontro era um sonho desde que sua irmã retornou de uma edição anterior. Ao observar as transformações vividas por ela, especialmente em relação ao autoconhecimento, aos valores inacianos e às amizades construídas, Valentina passou a desejar a mesma oportunidade.
Tharso Figueirado, do Colégio Antônio Vieira, em Salvador (BA), chegou a Vila Oliva em busca de um momento para se conhecer melhor, estabelecer novas relações e aprofundar sua conexão com Deus. Clarissa Felipe, estudante do Ensino Médio Noturno do Colégio São Luís, em São Paulo (SP), decidiu participar após ouvir relatos de antigos estudantes sobre os efeitos da experiência em suas vidas. Já Miguel Neto, do Colégio Medianeira, em Curitiba (PR), viu no EFI uma oportunidade de se preparar para exercer a liderança e compartilhar com outras pessoas a fé que vem construindo em sua caminhada.
Esses propósitos dialogam com a proposta formativa do Encontro, que articula as dimensões cognitiva, socioafetiva e espiritual-religiosa. Para o professor Marcio Longhi, coordenador do EFI e do Ensino Médio do Colégio Anchieta, em Porto Alegre (RS), o itinerário inspirado na experiência de Santo Inácio de Loyola oferece aos jovens a oportunidade de revisitar suas próprias histórias, desenvolver o autoconhecimento e reconhecer possibilidades de atuação no mundo.
O agente de formação cristã do Colégio Santo Inácio (RJ), Lucas Medeiros, destaca que o processo de olhar para si precisa estar conectado à disponibilidade para o outro. “Fazer o mergulho em si, buscar a sua interioridade, uma busca de autoconhecimento e fazer com que essa busca não termine em si, mas que ele saia em direção ao outro”, explica. Segundo Lucas, o EFI também contribui para o desenvolvimento da autonomia, da responsabilidade e da capacidade de realizar uma leitura crítica da realidade. “O Encontro de Formação Integral não se encerra nesses dez dias de experiência, mas é um trabalho de revisitar e viver isso ao longo da vida”, afirma.
Antigos alunos retornam como monitores
A continuidade dos aprendizados também se expressa na participação de antigos alunos que, após vivenciarem o EFI como estudantes, retornam para acompanhar as novas gerações. É o caso de Raffaella Dalla Vecchia, antiga aluna do Colégio Anchieta (RS), que participou do Encontro em 2023. Ela recorda que a experiência superou suas expectativas, proporcionou amizades duradouras e contribuiu para mudanças pessoais que ainda reconhece em sua vida. Agora, seu desejo foi oferecer aos participantes a oportunidade de viver algo igualmente significativo. Ao revisitar anotações feitas durante sua própria participação, Raffaella percebeu que algumas dúvidas permanecem, mas que ela também mudou muito desde então. O retorno, portanto, representou uma nova maneira de olhar para o EFI e de contribuir com a formação de outros jovens.
Lucas D Addazio, ex-aluno do Colégio dos Jesuítas, também retornou como monitor após participar do EFI em 2023. Ele define o encontro como um divisor de águas, que transformou sua maneira de conviver com as pessoas e de compreender o mundo. “Mais do que viver e se transformar, é muito mais bonito você conseguir levar isso para o outro”, destaca.
Formação de lideranças a serviço da vida
No encerramento da 9ª edição, o diretor-presidente da RJE, professor Fernando Guidini, esteve em Vila Oliva e destacou a importância da experiência para a formação de lideranças juvenis. Ao longo dos dez dias, os estudantes foram convidados a refletir sobre o significado de liderar na perspectiva inaciana, tendo como referências a espiritualidade da Companhia de Jesus, a Pedagogia Inaciana e os princípios e orientações do Projeto Educativo Comum (PEC).
Guidini ressaltou a importância de desenvolver uma liderança que saiba ouvir, refletir, aprofundar questões, discernir e colocar-se a serviço. Essa perspectiva se conecta aos relatos dos estudantes, que identificam no encontro oportunidades de ampliar o autoconhecimento, construir relações significativas e descobrir novas maneiras de contribuir com a sociedade. Os dez dias em Vila Oliva representam uma etapa de um processo que segue nas escolhas cotidianas, nas relações e no compromisso de cada estudante com a construção de um mundo mais justo, fraterno e solidário.




